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Reflexões sobre o Tempo e o Espírito

Por Rejane Planer


Um dos mais intrigantes conceitos da ciência, devido as suas implicações filosóficas e religiosas que se reflete na nossa vida como o passar das estações e dos anos, e assinala o processo de envelhecimento, o ciclo da vida, é o tempo. Vivendo o dia a dia atribulado pela necessidade de sobrevivência na sociedade atual, que nos bombardeia com informações de todo caráter, mas nem sempre agradáveis, evitamos pensar na transitoriedade da vida terrena.


Aceitamos, sem questionar, que o tempo progride em direção ao futuro, pois a rotina da vida do cotidiano confirma esta seta unidirecional do tempo. O passado já passou, o presente está aqui e agora. Não podemos reconstruir nossas vivências, nem retroceder e revisá-las, como num artigo, ou num filme, consertando uma coisinha aqui, outra acolá. Somente podemos aprender e tentar novamente em outra ocasião, quando uma experiência similar acontecer.


Medimos o tempo em em segundos, minutos, horas, dia e anos, apesar de nossa percepção do tempo mental, emocional ou espiritual, ser muito mais flexivel e complexa. Os segundos que duram um acidente parecem eternos, enquanto que o minuto de espera de por alguém que se anseia por encontrar parece se prolongar por horas.


A percepcão unidiecional do tempo também não é absoluta. Existem ocasiões em que o tempo unidirecional parece deixar de existir, e retrocedemos no tempo ou visualizamos acontecimentos ainda por vir. Estas experiências, fora do tempo “real”, ocorrem em algumas pessoas, sensitivos ou médiuns, que podem ver ou sentir o passado, ou predizer acontecimentos ainda por vir, acessando informações passadas ou futuras.


Edgar Allan Cayce (1877-1945), médium americano, deixou uma ampla documentação sobre visões do passado e algumas predições futuras, fornecidas em transe mediunico por mais de 40 anos, aqueles que o procuravam. Eurípedes Barsanulfo (1880-1918), jornalista e médium mineiro, previu o dia da própria desencarnação com pelo menos um mês de antecedencia. Cayce e Barsanulfo são somente dois exemplos, entre milhares existentes nas obras Espíritas e literatura em geral, de indivíduos que relatam conhecimentos detalhados de um passado longinguo, ou trazendo informações sobre fatos que ainda estão por acontecer, prevendo o futuro. Talvez voce também tenha tido a sua fugaz experiência da relatividade do tempo, quando a janela do tempo se abriu e voce pode perceber experiencias anteriores ou acontecimentos que estariam por vir.


Devido a sua associação com o místico ou com os processos mentais e orgânicos, o estudo científico do tempo foi relegado por séculos a um segundo plano, e tem levado ao longo da história da humanidade a debates acirrados entre teólogos e divergências filosóficas. Enquanto, teólogos e filósofo discutem as tecnicalidades da relação entre tempo e eternidade, os místicos orientais desenvolveram técnicas que induzem a estados atemporais, onde passado, presente e futuro co-existem simultaneamente, e os médiums de todos os tempos tem demonstrado a possibilidade de acessar memórias passadas e eventos futuros.



O tempo na ciência


Aristóteles (384-322 AC), filósofo e cientista grego, foi provavelmente o primeiro a postular o tempo como movimento; mas foi Galileu (1564-1642), quem introduziu o entendimento do fator tempo como uma unidade mensurável e independente, ao medir o período de um pêndulo usando a sua pulsação cardíaca. Com Newton (1642-1727), o tempo surge como um conceito “matemático, real e absoluto, que por sua própria natureza flui sem relação com qualquer coisa externa”. Na mecânica Newtoniana, o tempo é um parâmetro fundamental e é na sua essência, um tempo matemático, absoluto (independente do observador) e universal.


Em 1905, Albert Einstein (1879-1955) introduz a noção de relatividade do tempo, ao estalecer que velocidade da luz no vácuo é a mesma em qualquer sistema de referencia inercial e não depende nem da velocidade da fonte que está emitindo a luz, tampouco do observador que a está medindo. Assim, que dois eventos que ocorrem no mesmo momento em um sistema de referência, se forem observados em outro referencial, podem ocorrer em momentos diferentes. Para Einstein tempo e espaço estão interconectados, e passado, presente e futuro são somente ilusões.


A teoria geral da relatividade do genial Einstein foi recentemente comprovada com a descoberta da onda gravitacional oriunda da colisão entre dois buracos negros em fevereiro de 2016, pelo laboratório LIGO (Observatório de Ondas Gravitacionais com Interferômetro Laser) dos EUA.


Para alguns neuro-cientistas, a percepção do tempo está relacionada a processos quânticos no cérebro, que se relacionam com a consciência.¹


A revolução iniciada por Einstein e outros pioneiros está apenas começando. Outros horizontes abrem-se à ciência, com o aprofundamento dos estudos sobre os campos de ondas gravitacionais, o espaço-tempo e suas implicações, e com a aceitação da consciência imortal - o Espirito, que já começa a ser considerada por alguns cientistas.²



O Espírito e o tempo


Para nós espíritas, esta revolução já começou há mais de 150 anos, com a codificação da Doutrina dos Espíritos por Allan Kardec. No pentateuco kardequiano estão os conceitos fundamentais que regem a vida.


O Espírito, o ser imortal que cada um de nós é, esquece o seu passado milenar ao reencarnar, mas retém os conteúdos que são úteis à sua evolução espiritual, os quais se manifestam geralmente como tendências inatas. Em certas ocasiões, é facultado o acesso a informações do passado ou do futuro, necessárias para a sua evolução ou para aqueles que lhe acompanham na vida. A memória pregressa vem a tona, por processos que a ciência ainda não sabe explicar. A memória, como o pensamento e outras funções primordiais do Espírito ainda não são explicadas pela ciência.


Ensina a Doutrina Espírita, que o Espírito, “percorre o espaço com a rapidez do pensamento e é como um centro que se irradia por todos os lados, dependendo da sua evolução”³, assim, ao alcançar estágios mais altos na hierarquia evolutiva, o Espírito livra-se desta percepção unidirecional do tempo, relativando-o e ao mesmo tempo tornando-o reversível, seja por acessar a memória passada ou antecipar possibilidades futuras.


Em A Gênese (capitulo VI)⁴, o Espírito Galileu faz uma análise do tempo, esclarecendo que “o tempo é apenas uma medida relativa a sucessão das coisas transitórias” e afirma que o tempo passa a existir no momento da Criação, e existe de modo diverso em cada universo - “Tantos mundos na vasta amplidão, quantos tempos diversos e incompatíveis”. O conceito de tempo é portanto inerente a realidade material do universo que vivemos. Outros existirão, onde a prisão do tempo já não existe.


Na perspectiva de outros horizontes, onde o tempo e o espaço não mais nos aprisionam, vemos também um convite à evolução, o objetivo da vida. Ao ampliar a consciência, conhecendo e vivendo as leis universais e morais que nos regem a todos, libertamo-nos das prisões interiores e avançamos em direção a conquista da plenitude, que nos libertará também da ilusão do tempo.


Como ensina a mentora espiritual Joanna de Angelis, “ilumina-te, pois a cada momento, acendendo a sublime claridade do discernimento na mente e do amor no sentimento, a fim de conseguires a paz e os estímulos para a sublimação”⁵ – a felicidade plena.


Referências:

Davies, Paul. About time: Einstein unfinished revolution, Penguin Books (1995)

Eurípedes Barsanuldo, o apóstolo da Caridade. Seareiro, Ano 5 - nº 44 - Agosto/2004, Diadema, São Paulo

Franco, Divaldo e Joanna de Ângelis (Espírito). Ilumina-te, Intervidas, Catanduva, SP (2013)

Kardec, Allan. A Gênese, Cap 2, item 2 a 13, Ed. FEB (1995)

Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Ed. FEB (1995)

Kardec, Allan. O Livro dos Médiums, Cap. 1, segunda parte, item 55, 61 Ed. FEB (1995)

Planer, Rejane. Tempo – realidade ou ilusão?, Revista Presença Espírita, janeiro/fevereiro 2015, Ano XL, no 306, Editora LEAL (2015)


¹ Ver Planer, Rejane. Tempo – realidade ou ilusão?, Revista Presença Espírita, janeiro/fevereiro 2015, Ano XL, no 306, Editora LEAL (2015)

² Ver Planer, Rejane. Entre crer e saber, Revista Presença Espírita, janeiro/fevereiro 2017, Ano XLII, no 318, Editora LEAL (2017)

³ Kardec. Allan. O Livro dos Espíritos, perguntas 89, 92, 93

⁴ Kardec, Allan. A Gênese, Cap 2, item 2 a 13, Ed. FEB (1995)

⁵ Franco, Divaldo e Joanna de ngelis (Espírito). Ilumina-te, Intervidas, Catanduva, SP (2013)

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